Deixei minha marca no paralelepípedo solto. Sangue do queixo. Quatro pontos para a eternidade. Passo o dedo. Foi lá, na vila. Consigo vê-lo. Não sei o que fazia ali. Me esperava naquela rua de terra. Aperto algumas teclas quase setenta anos depois. Maps. Google. Invenção do capeta. Acho as ruas na maior capital do sul do mundo. Sobrou um corredor que me levava até a meia-água de fundos. Seria um cortiço? Melhor dizer que sim. Mais emoção. Como descer aquela retinha de cimento num carrinho de rolimã. Uma batida na construção que protegia o poço de água fez o parafuso quase arrancar as bolas, aquelas. Mais uma lembrança dolorida. Não é assim mesmo? Olho tudo na tela iluminada e vejo até o tintureiro oriental na lambreta verde, como num filme no cinema do bairro. Atrás de casa, com gente atravessando nosso telhado para furar e entrar de graça. O paralelepípedo continua lá. Porque aqui. No queixo. No eixo.
16:07PARA NÃO ESQUECER PEPE HABICHUELA, BULERIAS E SOLEA
15:47Os bilhões para as bets
Estudo da Confederação Nacional do Comércio escancara: as bets tiraram, de 2023 a março de 2026, R$ 143 bilhões do comércio varejista, algo como o faturamento de dois Natais. Os gastos mensais dos brasileiros pularam de R$ 4 bilhões para R$ 29 bilhões no período.
15:16RB & FB
Da coluna de Leandro Mazzini, em O SUL
O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) recebeu para reunião um grupo do União, entre eles o deputado federal e manda-chuva da Federação União-PP no Paraná, Ricardo Barros. A cúpula do União aponta que o ex-ministro da Saúde vai fechar com o Zero Um para apoiá-lo no Paraná. Nacionalmente, o União optou pela neutralidade e não lançará candidato ao Planalto – o que motivou a saída de Ronaldo Caiado para o PSD.
15:07Boca Aberta, de novo!
14:57PARA JAMAIS ESQUECER
14:34Baka, adeus
por José Maria Corrêa
Como ex prefeito de Matinhos e também ocupante de muitos cargos na minha longa vida pública tive o privilégio de conviver por décadas com o Baka, meu xará.
Como característica que o destacava , além da capacidade de trabalho e enorme simpatia, era estar sempre acompanhando da sua linda e gentil esposa , companheira em todos os eventos.
Paranaguá sempre foi a sua paixão, assim como a vocação para a boa política .
E o empenho e dedicação ao PDT .
Infelizmente foi mais uma vítima do câncer , essa doença que desafia a ciência e a humanidade e continua ceifando vidas através dos tempos e com grande sofrimento.
Que fazer diante do inelutável?
Para os que foram dotados da dádiva e a graça da fé-orar para que sua transição para outro plano seja plena de luzes e possa ser recebido como merecem os bons .
E aos demais , mentalizar boas energias e momentos de reflexão e boas lembranças e memórias do amigo e companheiro que se foi.
Baka ficará na história de Paranaguá e do litoral como um personagem da história.
O que não deixa de ser um privilégio e reconhecimento neste nosso mundo da existência na vida pública e governamental, onde as ações ficam ou passam e a memória efêmera esvanece .
Quem por cargos ou mandatos passa ou passou sabe do que falo .
O fundamental é o ser e o agir e deixar um exemplo, uma referência.
Como o Baka .
10:39CIRCULA NA INTERNET
10:31A VIDA COMO ELA É
10:24A pagadora de promessa
por Lea Oksenberg, no Vigília Comunica
Diz o bom senso que promessa é dívida, mas ninguém te avisa que a vida cobra pra valer e que não aceita parcelamento. Quando a gente faz um pacto com o invisível para que o mundo volte a se ajeitar, e em troca de uma promessa, jogamos na mesa o que nos é mais caro. E o milagre veio.
Na eleição de 2022, tudo o que eu queria era que o inominável perdesse e Lula voltasse. Era uma eleição difícil. O genocida tinha aberto os cofres e deixava o dinheiro jorrar para a massa na tentativa de comprar o rumo do país. No dia da apuração, era voto a voto. Diante daquela tensão, percebi que o maior sacrifício que poderia oferecer ao destino era parar de fumar caso o Lula vencesse a disputa.
E ele venceu. O nó na garganta desatou, a vida seguiu o seu rumo e, no dia seguinte, o balcão do além veio recolher a fatura. No meu caso, o preço veio na forma de um maço vazio, de mãos que de repente não sabem onde se apoiar e de um luto diário pelo hábito que se foi.
Repito: de um luto diário pelo hábito que se foi. Isso mesmo! Porque muitos não acreditam que parar de fumar “na unha” não é apenas uma decisão. É uma batalha diária contra o próprio corpo. Cada xícara de café de manhã agora parece um cenário incompleto, um diálogo que perdeu a pontuação. É o fantasma de uma fumaça que já não existe, mas que teima em assombrar os minutos que, sem o cigarro, parecem durar o dobro do tempo. É preciso uma louca e desesperada teimosia para sustentar o “não” quando o hábito pede o contrário.
Do outro lado desse abismo silencioso, a poucas quadras de distância, está a minha comadre. Muito tempo dividindo os mesmos dias e a mesma fumaça. No visor do celular, ela confessa o peso de quem ainda flerta com a margem de lá: “Terei que ter alguma coisa bem forte”, ela me escreve, justificando a fumaça que ainda a acompanha, esperando por um remédio, um susto ou um milagre de farmácia.
E a resposta que dou a ela é, na verdade, o que me segura de pé: “Nada! A vontade é que tem de ser forte”.
Mas a verdade é que, por trás da minha resposta firme, há um desejo manso que não passa pela fumaça. Minha comadre mora logo ali, a poucos quarteirões que a inércia dos dias teima em transformar em milhas aéreas. Romper essas poucas quadras exige um esforço quase tão consciente quanto o de negar a próxima tragada. Continue lendo
10:08A VIDA COMO ELA É
9:20Projeto preserva legado de Nego Miranda com digitalização de 1.800 fotografias
por Cahuê Miranda
Há paisagens que desaparecem, costumes que se transformam. Construções, personagens e modos de vida que resistem apenas na memória. Ao longo de mais de quatro décadas, o renomado fotógrafo Nego Miranda se dedicou a registrar essas histórias antes que o tempo as levasse. Agora, parte desse legado está preservado e ao alcance do público.
Através do projeto “Nego Miranda – Acervo e Preservação” cerca de 1.800 imagens foram digitalizadas, garantindo a preservação de um dos mais importantes acervos dedicados à memória cultural e às paisagens da América Latina, com foco especial no Paraná, estado natal do fotógrafo, falecido em 2021.
As fotografias em breve estarão disponíveis em uma plataforma digital que é mais do que um repositório de imagens. O site www.negomiranda.com.br permite navegar por diferentes temas, épocas e territórios percorridos pelo fotógrafo e registrados a partir da observação atenta do mundo. Nele também será possível fazer o download de imagens para fins educativos e de pesquisa. O lançamento será no dia 17 de agosto, às 20h.
Nego Miranda deixou um legado marcado pela sensibilidade documental e pelo olhar cuidadoso sobre lugares e pessoas. Embora o Paraná ocupe posição central, suas lentes alcançaram diferentes partes do Brasil e do continente, reunindo imagens que revelam a diversidade de suas paisagens e marcas culturais.
A digitalização desse acervo foi uma medida essencial para garantir sua conservação a longo prazo. Grande parte desse material ainda se encontrava somente em suportes físicos, como negativos, slides e fotografias impressas, sujeitos à deterioração natural do tempo.
O trabalho ficou a cargo de uma equipe especializada em conservação e restauro, formada por profissionais renomados, como Tatiana Zanelatto Domingues, João Castelo Branco, entre outros.
O projeto foi aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura e Governo Federal.
A disponibilização online do acervo amplia o acesso das novas gerações a essas imagens. Estudantes, pesquisadores, artistas e a comunidade em geral agora podem interagir com essa riqueza cultural de maneira ampla e dinâmica. O objetivo é estimular pesquisas, produções culturais e interpretações da obra. Continue lendo
9:09A VIDA COMO ELA É
8:33“Não somos golpistas”
Da revista Veja
As quase cinco décadas dedicadas ao serviço militar não foram suficientes para preparar Carlos de Almeida Baptista Júnior, 65 anos, para o que iria presenciar no governo de Jair Bolsonaro na condição de comandante da Força Aérea Brasileira. Após as eleições de 2022, o tenente-brigadeiro do ar se viu pressionado por aliados do ex-presidente a apoiar um golpe de Estado que impedisse a posse de Lula. BJ, como é conhecido, no entanto, se recusou a participar da trama golpista, em um ato fundamental para impedir uma escalada autoritária no país. Dois anos depois, ele voltaria a desempenhar um papel cabal na manutenção da democracia, ao prestar um depoimento no Supremo Tribunal Federal que ajudou a colocar atrás das grades o ex-presidente e alguns de seus colegas de farda. Passado o turbilhão, o oficial foi para a reserva e se isolou em sua casa em Brasília com o objetivo de colocar as memórias no papel, no livro “Eu disse não — Uma trincheira antigolpista”, (editora Autêntica, 240 págs.), que acaba de ser lançado.
8:13Máquinas e homens
7:48PARA NUNCA ESQUECER GORDURINHA, MARIO TUPINAMBÁ E BAIANO BURRO NASCE MORTO
7:28LEROS
de Carlos Castelo
§ O filme “A última casa”, com Wagner Moura, é dessas construções cinematográficas em que o arquiteto esqueceu a porta de saída. O espectador entra. A esperança fica na calçada.
Wagner Moura comparece com seu talento habitual. É o único imóvel valorizado do lote. Em volta, o roteiro pratica usucapião da paciência alheia.
Há silêncios profundos. Tão intensos que deviam pagar IPTU.
A câmera contempla. Depois contempla a contemplação. Em seguida medita sobre a possibilidade de continuar contemplando.
Tudo é gravíssimo. Uma maçaneta parece carregar a culpa da Europa em relação à África inteira.
É um tipo cinema de atmosfera onde falta o cinema.
O drama avança como repartição pública numa sexta-feira depois do almoço. Cada minuto solicita três vias autenticadas do minuto anterior.
E Wagner sofre. Inclusive pelo público, poupando-nos dessa parte do serviço.
No final, saímos da última casa com a sensação de termos financiado trinta anos de tédio pela tabela Price.
A crítica talvez chame de experiência sensorial. Meus ouvidos chamaram de vácuo. Meus olhos, de prestação. E minhas nádegas, sempre materialistas, chiaram.
6:50A FRASE
6:37A VIDA COMO ELA É
6:29Penduricalhos dos tribunais de contas ainda escapam ao cerco do STF
Da coluna Transparência Pública*, na FSP
Órgãos responsáveis por fiscalizar gestores públicos ainda dificultam o controle da remuneração de seus próprios membros. Conselheiros chegam majoritariamente por indicação política, têm garantias de magistrados e contracheques ainda difíceis de fiscalizar
Nesta quarta-feira (12), o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que sete Tribunais de Justiça suspendam pagamentos irregulares e devolvam valores acima dos parâmetros definidos no julgamento dos penduricalhos. A decisão reflete o poder da informação nas mãos dos cidadãos: hoje, apesar das dificuldades, as folhas de pagamento do Judiciário podem ser examinadas e questionadas pela sociedade.
A mesma lógica de escrutínio e contenção ainda não chegou, de forma equivalente e verificável, aos órgãos que fiscalizam as contas públicas. Isso porque essas instituições existem em um vácuo sem precedentes. Como aponta o relatório do Instituto OPS, em parceria com Contas Abertas e Instituto FHC, são as únicas instituições da República que não possuem controle externo, autoaplicam resoluções sobre a própria remuneração e operam em “jurisdição única”, julgando até os recursos contra as próprias decisões.
Reportagem do RJ2, veiculada em junho deste ano, revelou que sete conselheiros do TCE-RJ acumularam R$ 11,8 milhões entre maio de 2025 e abril de 2026. E um levantamento do O Globo calculou que a remuneração média bruta entre conselheiros no primeiro trimestre de 2025 foi de R$ 69,7 mil.
Cinco dos sete conselheiros de cada tribunal são escolhas políticas sem vinculação a uma carreira técnica do próprio sistema de controle. É uma combinação peculiar: chega-se majoritariamente por indicação a um cargo com garantias de magistrado e, uma vez dentro, reivindicam-se também as vantagens concedidas ao Judiciário. Levantamento da Transparência Brasil havia constatado, em 2016, que oito em cada dez conselheiros eram políticos de carreira e, em 2025, o UOL mostrou que mais de 30% tinham parentes na política.
Há dois anos, publicamos nesta coluna um levantamento que mostrava que apenas 11 dos 27 tribunais estaduais divulgavam a remuneração de conselheiros em formato aberto e acessível e que, mesmo onde havia dados, rubricas genéricas dificultavam a fiscalização. A disponibilidade de dados aumentou desde então, mas ainda está muito aquém do necessário. Boa parte ainda usa PDFs, que precisam ser baixados e convertidos um a um, mês a mês, numa manobra clássica de fachada de transparência e muito distante do que cobram dos órgãos do Executivo no Radar da Transparência.
Além dos problemas de forma, faltam valores que compõem os contracheques. Desde 2022, por exemplo, o Tribunal de Contas de Santa Catarina prevê pagamentos por “horas-aula” e “preparação de material didático” a conselheiros e outros agentes. Solicitamos, via LAI, a íntegra dos valores, mas, após seis meses de cobranças e diversas promessas do órgão, os pagamentos ainda não foram publicados.
Como de praxe, vale ressaltar que nossas colunas nunca são um ataque às instituições em si, e sim uma cobrança para garantir que mantenham sua legitimidade. Os tribunais de contas são fundamentais e, especialmente no âmbito da Lei de Acesso à Informação, estão entre os maiores aliados da sociedade civil. Justamente por isso, não podem adotar para si uma barra inferior à que exigem dos fiscalizados.
De imediato, é preciso que os TCEs adotem um formato padronizado de contracheque, nos moldes da resolução do CNJ publicada em maio para magistrados, com acessibilidade equivalente à dos Portais da Transparência que fiscalizam o Executivo. A médio prazo, o Ministério Público e o STF devem preencher o vácuo de controle externo no qual essas entidades operam. E, a longo prazo, é necessária uma mudança estrutural na governança, com medidas como o fim das indicações políticas livres.
*Maria Vitória Ramos e Bruno Morassutti



