17:33JAMIL SNEGE

Dois meninos, magrinhos, irmãos, aproximam-se do balcão de pães. Escolhem um bem pequeno – o que pode comprar a moeda que um deles guarda no côncavo da mão. Saem os dois com seu pãozinho – uma fome tão antiga, entre acrílicos e colesteróis.

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17:21JORNAL DO CÍNICO

Do Filósofo do Centro Cínico

Bancos de todo o mundo emprestaram US$ 600 bilhões a empresas que desmatam e destroem o ecossistema. O levantamento feito por ambientalistas cobre os anos de 2020 a 2025. Não há registro de que houve algum centímetro de replantio, mas suspeita-se que as árvores abatidas geram folhas em forma de notas das moedas mais poderosas do planeta.

 

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15:45Mudança

Não tenho mudado muito de atitude nos últimos tempos, mas mudei duas vezes de apartamento e, no fundo, talvez isso seja até mais radical. (Millôr)

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15:20A infraestrutura viária e a cobrança pesada

Pode ser tudo. Carlos Guilherme Ceschin Gomes do Rego, presidente da INFRAVIA/PR, enviou às construtoras associadas um texto que joga uma bomba no DER do Paraná neste final de governo Ratinho Junior. Ela termina assim, de forma clara e direta: “Em razão desses desdobramentos, mantemos a expectativa de que o órgão adote, com a urgência o pagamento integral dos valores devidos ao longo do mês de outubro. Caso essa expectativa não se efetive, esta Presidência adotará as medidas cabíveis, formalizando ao MPPR, ao TCE-PR, Sr. Governador , Alep, TJPR e à Ouvidoria-Geral”. A íntegra foi publicada no site do Impacto Paraná e foi espalhada pelo Instagram. Confira:

https://www.instagram.com/p/DecrqxVFjXj/?mdxt=dno3ajNlN3Q4MHF0

 

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11:14A polenta e a boquinha

O Gaiato da Boca Maldita guardou todas as imagens do jantar realizado ontem no restaurante Madalosso. Ao saber que três mil pessoas estiveram presentes, ele calcula que a maioria foi e pagou cenzão cada um não só para o reencontro com a polenta frita, mas também para começar a caminhada para conseguir uma boquinha no novo governo paranaense. As fotos vão ajudar a conferir.

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11:10OS FLAGRAS DE ONTEM

Em Curitiba, no jantar de apoio a Flávio Bolsonaro organizado por Sergio Moro, governador eleito, e Filipe Barros e Deltan Dallagnol, senadores eleitos. Fotos de Víctor Coutant

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10:59O que pode vir por aí

Do Analista dos Planaltos

Foi o PT quem travou a briga judicial para tirar Deltan Dallagnol da disputa para o Senado. Não deu certo. Agora espera a decisão do TSE, que pode apear o ex-procurador federal. Há contudo, mais complicação para quem jogou e colocou pedras no caminha do candidato do Novo.  É que se houver uma nova eleição, para definir o novo senador paranaense, do jeito que estão as coisas, o PL indica um candidato e vai conseguir emplacar o segundo senador – o primeiro, eleito com o maior número de votos, é Filipe Barros. Para fechar, se os ministros do TSE resolverem oficializar o terceiro mais votado na eleição do dia 04… ele é Alexandre Curi, do Republicanos. Portanto, a petista Gleisi Hoffmann continuaria de fora. Dallagnol aposta que o TSE não vai precisar de tanto trabalho e confirmará a vitória dele nas urnas.

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10:34O Analfabeto Político

de Bertold Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos exploradores do povo.

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9:38Com senha e tudo

por Hayton Rocha

Tenho uma inveja medonha de quem tem certeza de tudo. Deve ser maravilhoso viver sem o peso da dúvida e da reflexão.

Há duas décadas, um amigo me contou que visitara um médico, dono de hospital, tão frio que até o cafezinho parecia servido numa bandeja de necrotério. O doutor falava de suas virtudes gerenciais com tamanha empáfia que a soberba lhe escorria pelos cantos da boca.

Meu amigo era bancário. O médico queria financiar equipamentos de ressonância magnética, máquinas que nos vasculham por dentro sem nos perguntar se temos ou não algo a esconder.

Para provar que podia pagar o empréstimo, contou que implantara metas desde a porta da emergência. De cada cem pacientes, quarenta fariam exames complexos; dez seriam internados; três ou quatro chegariam à UTI. Com chuva, sol ou a virose do dia, o hospital teria a precisão de uma fábrica de parafusos.

A receita adicional permitiria comprar novos equipamentos sem recorrer a bancos. O corpo humano ajudaria a pagar as prestações. Coração, fígado, pulmão, rim: cada órgão daria sua contribuição à expansão do negócio.

Se algum plano de saúde recusasse autorização, não haveria problema. Numa hora crítica, poucas famílias discutem evidências científicas ou preços. Assinam. Se preciso, aprendem o caminho do plantão judicial. O medo é um vendedor eficiente e costuma conseguir liminar.

É o tal do pay-per-use: paga-se pelo que se usa. Quanto mais se faz, mais se cobra; quanto mais se cobra, mais se ganha. Ao autorizar uma internação, o plano não entrega um cheque em branco — isso é coisa do passado. Entrega seus dados bancários básicos, com senha e tudo. Não sabe quantas diárias virão nem quanto custará cada procedimento. Disponibiliza os recursos e torce pelo bom senso do outro lado.

Quando o plano pertence a funcionários de empresa estatal ou de economia mista, aparece outra jabuticaba: a crença de que o governo de plantão não o deixará falir.

Anos mais tarde, meu amigo passou a trabalhar numa operadora de planos de saúde. Viu de perto hospitais e planos acirrarem a disputa, com o paciente no meio. Se um lado impõe condições demais, o outro pode quebrar. E quem fica entre os dois é justamente quem precisa de atendimento. Continue lendo →

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8:39Os Ratinhos na campanha de Flávio

Ratinho Junior volta ao Brasil entre hoje e amanhã. Até segunda-feira (19) se encontra com Flávio Bolsonaro. Vai entrar na campanha, assim como o pai, o apresentador Ratinho, que aceitou correr atrás de mais votos para o candidato no Nordeste, única região onde Lula venceu no primeiro turno. Se Flávio for eleito, o governador do Paraná poderá ter espaço na administração dele.

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8:30Ordem do “Pai Jair”

Ao saber que Flávio Bolsonaro não vai participar dos próximos debates com Lula antes da eleição do segundo turno, o Gaiato da Boca Maldita disse que foi o ‘Pai Jair’ quem decidiu: “Não vá porque você pode ser abduzido e até mudar o próprio voto. Aí não vai ter mudança nenhuma e eu vou continuar na mesma situação”.

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7:38O futuro cansa

por Lea Oksenberg

Embaixo das cobertas, o mundo de Zé Maria tinha o tamanho exato de um colchão amassado e a claridade frouxa da telinha do telefone. Era domingo, mas os ponteiros do relógio pareciam paralisados. A cama, que deveria ser o porto seguro de quem já trabalhara e correra atrás da vida, havia virado trincheira. Uma reclusão quase necessária, um silêncio forçado a contragosto para ver se o barulho do mundo lá fora afastava as paredes do quarto.

A bem da verdade, Zé Maria estava recolhido, mas não estava sozinho. O telefone que trazia o cansaço do mundo também era o fio por onde a vida real, a boa, teimava em entrar. Eram os amigos — gente de perto e de longe — que não deixavam o homem sumir do mapa. Um mandava receita de caldo, outro perguntava se ele já tinha tomado o remédio, um terceiro simplesmente dizia para ele desligar a tal tela e ir dormir. Essa turma fazia um cordão de isolamento ao contrário: queriam blindar o Zé Maria da sanha do mundo.

Porque fora dali, o país fervilhava em mais uma eleição que insistia em arrancar o sono de quem já havia visto o filme de 1989. Naquela época, as forças se mediam em um Brasil sem urna eletrônica, e o medo do futuro tinha outro timbre, mas a mesma secura na garganta. Só que agora a fatura vinha em formato de conversa fiada que não acaba mais, barulho de rede social até a exaustão dos dedos e uma corrosão lenta dos afetos.

Ontem mesmo, veio a notícia de Adalberto, colega exilado em Luxemburgo. Um luto esquisito dando conta de que um amigo do Ada havia morrido. Zé Maria coçou a cabeça e não entendeu muito bem. Decidiu tirar a dúvida: o suposto morto havia se perdido naquele fanatismo cego, embarcado de cabeça na onda daquela gente — o que, para Ada, lá na Europa, significava que a amizade havia estancado, virado defunto virtual. Zé Maria pensava nisso e achava tudo de uma estranheza colossal. Não era briga de torcida de futebol, não era birra passageira. Era o futuro em jogo, a disputa encarniçada entre dois projetos de país, com tanta criança ainda por crescer, tanta gente precisando aprender o básico da vida.

— O problema — matutava Zé Maria, puxando o edredom mais para cima, sentindo ao menos o calorzinho das mensagens dos compadres no celular — é que o futuro cansa. E o Brasil, às vezes, parece uma piada que insiste em virar tragédia. Continue lendo →

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7:16O estilo Dallagnol

Deltan Dallagnol (Novo) não dá ponto sem nó. Na segunda-feira (12) estava na avenida Paulista com os bolsonaristas que foram limpar as pichações e retirar os cartazes colados no dia anterior na manifestação em apoio a Lula (PT). Ontem à noite, em Curitiba, era um dos principais personagens do jantar em apoio à candidatura para a presidência de Flávio Bolsonaro (PL) organizado por Sergio Moro (PL), governador eleito. Midiático, aguarda a decisão do plenário do TSE sobre a definição da situação dele, senador eleito no dia 04 de outubro. Ainda não se sabe se a movimenação, devidamente registrada em vídeos e espalhada nas redes sociais, pode ajudá-lo na definição do futuro imediato, mas não deixa de ser um estilo – midiático, obviamente.

 

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