18:11O livro sobre nada

de Manoel de Barros

É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
Tudo que não invento é falso.
Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
Tem mais presença em mim o que me falta.
Melhor jeito que achei pra me conhecer foi fazendo o contrário.
Sou muito preparado de conflitos.
Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
O meu amanhecer vai ser de noite.
Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção.
O que sustenta a encantação de um verso (além do ritmo) é o ilogismo.
Meu avesso é mais visível do que um poste.
Sábio é o que adivinha.
Para ter mais certezas tenho que me saber de imperfeições.
A inércia é meu ato principal.
Não saio de dentro de mim nem pra pescar.

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9:27O pai da convocação de Neymar

por Lauro Jardim, em O Globo

Francisco Mendes, filho de Gilmar Mendes e hoje o mandachuva de fato da CBF, revelou a vários interlocutores durante o Gilmarpalooza, sem qualquer cerimônia, quem foi o responsável pela volta de Neymar à Seleção: “Quem convocou o Neymar fui eu”.

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9:18A resposta de Moro sobre os recursos que destinou ao Paraná quando ministro

Sobre a nota “Candidato no Paraná, Moro não colocou o estado entre dez primeiros na liberação de recursos na sua gestão na Justiça”, do jornalista Lauro Jardim, de O Globo, aqui republicada, o senador Sergio Moro enviou a seguinte mensagem:

A distribuição dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública, durante meu período no MJSP, seguiu os critérios objetivos previstos na portaria 631/2019/MJSP, entre eles população, índice de criminalidade, efetivo policial e performance, a fim de tratar todos os estados de maneira objetiva e adequada. De todo modo, durante minha gestão o Paraná, por sua condição geográfica estratégica para a segurança pública, recebeu atenção especial em políticas públicas. Entre elas pelo menos três projetos estratégicos e específicos no Paraná: – criação do Centro Integrado de Operações de Fronteiras – CIOF, o único no país, em Foz do Iguaçu; – investimentos na base Nepon da PF em Guaíra, com integração das forças policiais e o Exército em base fluvial, o que reduziu o tráfico de drogas na região; – o programa Para Frente Brasil, com a presença da Força Nacional de Segurança Pública em São José dos Pinhais para a diminuição do crime em cidades violentas (SJP e outras 5 cidades do país foram escolhidas).

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8:36O triunfo do Império da Quinta Série

por Marcos Barrero

O bravo e eficiente Marrocos não desmoralizou apenas a Seleção de Ancelotti, que agora mastiga chiclete e o primeiro fracasso em Copa. A Globo pulou pra dentro do mesmo pacote. Juntou-se aos seniores do Cappo de Reggiolo e na cobertura do jogo alcançou o auge de uma façanha anunciada. Faz a pior e mais ridícula cobertura de todos os tempos. Ficou uma graça a equipe de bermudinha. O pouca telha Escobar, que julga ter incorporado o espírito de Chico Anysio, dispensa a informação e cospe piadinhas infames. Ricardinho, ex-jogador torce e mente: repete que o mágico italiano tem bons coelhos na cartola e que o time é bom. Mas como assim se quase dez dos “craques” são filhotes derrotados de Tite, quatro anos mais velhos. Se tem Danilo do Fla, Casemiro, Ibanez, Paqueta&Cia jogando. E Neymar, de chefe de torcida, mancando. Certo é que já chegaram tropecando no degrau de entrada.
A Globo é um nada a ver. A tal Thaís, imbuída de uma alegria de instragram, sapateou no gramado como uma Gretchen no palco, pra demonstrar seus “guizos falsos da alegria”. Resta saber se o marido, presidente de escola de samba, deu “nota 10”. Caio Ribeiro pulou e cantou com a torcida como se estivesse na Vai Vai. Disse “o time vai”. Não foi. Os repórteres de “porta de estádio” incomodam o telespectador com um mantra insuportável. Os produtores convocam um grupelho de meia dúzia de torcedores, botam o repórter no meio e seja o que Deus quiser. Sai cada pensata! Pérolas ao vento. Só não pinta uma notícia.
A patuscada global lembra um desses comerciais dos intervalos, repletos de pachecadas e ufanismo de várzea.
É um liberou geral estúpido e anti-jornalístico.Tudo parece, enfim, uma grande farra de fim de ano no colégio. Estamos sob o Império da Quinta Série.
O fiasco, que já é histórico, me obrigou a contrariar os próprios instintos e o bom senso. Fui ver Galvão Bueno vendendo e mastigando batata, torcendo e brigando com o juiz no canal do baú das filhas do extinto SS.

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8:26Sérgio Reis, por ele mesmo

Do livro “100 anos de criatividade”, de Paulo Vítola, o depoimento do publicitário Sérgio Reis, que morreu ontem em Curitiba aos 87 anos:

Nasci vizinho ao Noel Rosa, na Vila Isabel, Rio de Janeiro, na época capital do Brasil. A propaganda entrou de mansinho em minha vida, mas tudo começou naqueles bons tempos de adolescência, quando escrevia os jornaizinhos de escola. Foi, então, que surgiu o sonho de ser jornalista. Não fiz faculdade. A perda da minha mãe logo cedo me rendeu alguns episódios difíceis na vida. Rodei em colégios internos e dependi da ajuda de muitas e generosas pessoas. Não tinha dinheiro e precisei trabalhar cedo. Vendi livro: enciclopédia Delta-Larousse, dicionário Caldas Aulete (nossa, como sou velho!) e assinatura de revistas. Fui fiscal de hospital. Mas sempre persegui aquela vontade de ser jornalista. Já sabia bater de porta em porta para vender e, assim, acabei vendendo meu currículo para uma empresa de assessoria de imprensa em São Paulo. Anos depois, virei sócio. Atendíamos a Volkswagen, a Sambra, a Wilson, o frigorífico Swift Armor, a Associação da Indústria Automobilística, dentre outros dos maiores anunciantes do Brasil. Nessa época, criamos a ABRAVE – Associação Brasileira de Revendedores de Automóveis, com Francisco Caltabiano. O Paraná começou a entrar no meu mapa nessa época. Ainda que a sociedade não tenha dado certo, ficou a experiência. Percebi, então, que precisava me qualificar para conseguir um emprego melhor. Consegui uma bolsa para fazer um curso na FGV e ADVB/SP. Trabalhava durante o dia e estudava à noite. Assim, tornava-me um profissional de marketing. Nesses cursos, por acaso, tive a sorte de conhecer um curitibano incrível: João Milano. Ele e o empresário Marcos Olsen me trouxeram para trabalhar na Olsen Veículos, na Cidade Sorriso. Já em Curitiba, recebi uma ligação inesperada. Pensei ser um trote e desliguei na hora. Luiz Antonio Vieira tentou mais uma vez e oficializou o convite para começar o departamento de marketing de um banco paranaense. O Bamerindus ainda não era muito conhecido fora o estado. Era o sétimo banco no ranking nacional. Era o início dos anos 70. Comecei, então, a trabalhar com o presidente do banco, Tomás Edison. Continue lendo

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8:19Aumenta a pressão em cima de Filipe Barros

Candidato ao Senado, o deputado federal Filipe Barros (PL) tem sido pressionado desde que Malu Gaspar, do jornal o Globo e da Globonews, revelou que Eduardo Bolsonaro disse, antes de fugir para os Estados Unidos: “Para quem acha que eu não [vou] estar sentado naquela cadeira, eu perdi o poder na CREDN, negativo, tá”? O londrinense foi o indicado pelo filho de Jair Bolsonaro para a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Congresso Nacional – e ao apresentar a mesma proposta do senador Ciro Nogueira, que teria sido redigida pelo Banco Master e, se aprovada, aumentaria muito o rombo do banco de Vorcaro no sistema financeiro, ficou com a carga negativa nas costas. Não há nenhum indício que Barros tenha recebido benesses de Vorcaro como Nogueira, mas com os holofotes em cima dele, já foi lembrado que em 2022 pediu intervenção militar no Brasil. Hoje, na FSP, o colunista Celso Rocha de Barros contribuiu  para o cerco ao perguntar o seguinte ao bolsonarista: “Filipe Barros, você protegeu o esquema Master por ordem de Eduardo? Ele disse para todo mundo que continuaria mandando na CREDN por seu intermédio. Mentiu?”

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7:40Evidentemente!

Ao ler a manchete do site da Veja (Empate do Brasil na estreia evidencia preocupação para os próximos jogos), o Gaiato da Boca Maldita desistiu -não da seleção, mas de ler as notícias da Copa.

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7:31Craques

por Nelson Rodrigues

  • O tempo é uma convenção que não existe nem para o craque, nem para mulher bonita. Existe para o perna-de-pau e para o bucho. Na intimidade da alcova, ninguém se lembraria de pedir à rainha dde Sabá, a Cleópatra, uma certidão de nascimento.
  • O supercraque não precisa jogar bem. O perna-de-pau é que tem de se matar em campo. Pelé, por exemplo. Se abrir uma Revista do Rádio no meio do campo, estará usando um dos privilégios do gênio.
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6:44Flávio, um candidato pesado

por Elio Gaspari, na FSP

O antipetismo não basta para derrotar Lula. É cedo para se prever o resultado da eleição de outubro, mas alguma coisa vai mal com o candidato

O filme parcialmente financiado por Daniel Vorcaro, a diplomacia suicida e a plataforma oca de Flávio Bolsonaro cobraram seu preço na última pesquisa Quaest. Lula ultrapassou-o, marcando 44% contra 38%. Junho é cedo para se prever o resultado de uma eleição marcada para outubro, mas alguma coisa vai mal com o candidato.

Lula conseguiu sair de um viés de queda para outro, de alta, na segunda metade de um terceiro mandato e a poucos meses da eleição. De novo, nesta eleição, até agora a única novidade é a recuperação do presidente. Essa proeza foi conseguida muito mais pelos escorregões e abulias dos adversários do que por mais de três anos de desempenho.

Flávio, como o pai, cavalga o antipetismo, e só. Os eleitores independentes migraram e passaram ao largo de Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Em 2026 o antipetismo está num nicho, encolhido por falta de agenda.

Bolsonaro deu a Lula o auriverde pendão desta terra e ele está enrolado nela. Zema e Caiado parecem sem rumo. Como a campanha ainda não começou, qualquer dos três anti-Lula pode, em tese, dar uma disparada, mas quem melhor cultiva a pista é Lula. Ele semeou-a mudando a tabela de alíquotas do Imposto de Renda e oferece a escala 5×2. A proximidade de Lulinha com o Careca do INSS não tem o efeito do áudio de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro.

Até agora, o antipetismo tem só dois ativos, a segurança pública e Donald Trump. No primeiro, o governo apresenta planos tardios e a oposição põe na mesa chacinas como a da Penha. No segundo, depois da carta neurastênica do ano passado, Trump bombardeia o Brasil com tarifaços que afetam a economia nacional e, com ela, os eleitores.

No século passado, John Kennedy asfixiava o governo de João Goulart enchendo a bola dos governadores da oposição. Com programas de moradia e agendas reformistas. Trump enche a bola dos Bolsonaros com fotografias e frases banais.

(Vale lembrar que em janeiro de 1964, quando a derrubada de Goulart já estava no baralho, o embaixador americano Lincoln Gordon passou por Washington e pediu para ser recebido pelo presidente Lyndon Johnson. Pedido negado. Gordon baixou a bola e pediu para tirar uma fotografia com Johnson, pois isso o ajudaria no Brasil. Pedido igualmente negado.)

Trump recebeu sua bancada brasileira.

Eremildo, o idiota, não entende a negociação da delação de Vorcaro

Eremildo é um idiota e está convencido de que as russas e ucranianas levadas para as farofas do banqueiro Daniel Vorcaro eram estudiosas do direito. O que o cretino não entende é a fogueira de vaidades em que se transformou o processo de sua colaboração com a Viúva.

Pelo que lhe contam, Vorcaro se julga inocente, vítima de uma perseguição. É possível, nesse caso, nada há a negociar. Ele espera o julgamento. Se for absolvido, vai pra casa. Condenado, rala.

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9:52NELSON PADRELLA

GRANDES DITOS POP

Quem ordenha quer comprar.
Mais vale quatro dedos na mão do que cinco voando.
Em casa de terneiro a mãe é uma vaca

GRANDES(nem tão grandes assim) DITOS POP

Nada como um Dias atrás do outro.
Um dia é da calça, o outro é do sutiã.

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